Tem dias que não são dias
Outros que parecem uma eternidade
Tantos dias parecem segundos
Alguns passam por nós como sombras
Há dias que não nos pertencem, todos são assim.
Certo é que nós passamos pelo tempo.

(Ler ao som de Beethoven)
O tempo passa
O coração sente
As mãos envelhecem
A mente desmente.
Se tudo se foi
Porque não ficas só um pouco?
De repente,
Jardins irrompem janelas dentro
Pássaros cantam belas notas
Lagos borbulham
Crianças neles se banham.
Numa reviravolta,
Daquelas do destino,
Tudo se desmorona
Nada se compõe
Sinal para começar de novo.
De novo a paz
O amor
E a vida.
O poema é curto (nem título lhe dei, deixo isso ao vosso critério) mas a melodia permanece. É tudo o que interessa.
"Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz."
Alberto Caeiro
